mesa livre para a vida

não se descreve o viver. para quê tentar?

09 dezembro 2006

longe perto

foto Antonio Pierre De Almeida


contornei-te os lábios com os dedos. não os sabia tão capazes ainda de uma leveza assim. depois todo o perfil. devagar. devagar. a minha comoção era tamanha que quase tive vontade de chorar, não de tristeza. não. era tolice. de profunda ternura. nada mais.

para quê chamar-lhe amor? as palavras são um pouco como o sal. só na medida certa apuram o sabor.

depois. depois deixei pender as mãos. terias tu sentido? só por pura magia. como se sente no rosto o que alguém deu a uma fotografia?

e no entanto, voltei a reerguê-las. dei-lhes forma de ninho. coisa boa para início de vida com carinho.

mas tu não estás. não és. ou és e não queres ser essa pessoa boa e comovente que me deu para gostar. e tão pouco eu gosto já de gente...

sacudo a cabeça de repente. vamos a acordar. isto é a cercania do natal e este tempo em excesso para sonhar. o melhor é fazer um telefonema e escolher um jantar.

cura o romantismo e a melancolia num instante de tão prosaico e citadino ser.


mas nos meus olhos. bem a brilhar cá dentro há ainda a panela na lareira sobre toros a arder.


at sernancelhe.planetaclix.pt

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