longe perto
contornei-te os lábios com os dedos. não os sabia tão capazes ainda de uma leveza assim. depois todo o perfil. devagar. devagar. a minha comoção era tamanha que quase tive vontade de chorar, não de tristeza. não. era tolice. de profunda ternura. nada mais.
para quê chamar-lhe amor? as palavras são um pouco como o sal. só na medida certa apuram o sabor.
depois. depois deixei pender as mãos. terias tu sentido? só por pura magia. como se sente no rosto o que alguém deu a uma fotografia?
e no entanto, voltei a reerguê-las. dei-lhes forma de ninho. coisa boa para início de vida com carinho.
mas tu não estás. não és. ou és e não queres ser essa pessoa boa e comovente que me deu para gostar. e tão pouco eu gosto já de gente...
sacudo a cabeça de repente. vamos a acordar. isto é a cercania do natal e este tempo em excesso para sonhar. o melhor é fazer um telefonema e escolher um jantar.
cura o romantismo e a melancolia num instante de tão prosaico e citadino ser.
mas nos meus olhos. bem a brilhar cá dentro há ainda a panela na lareira sobre toros a arder.

4 Comentários:
Às 10/12/06 7:02 da tarde ,
Al.Jib/Gabriela R. Martins disse...
onde a prosa poética ganha foros de alforria
lindíssimo o texto ... as fotografias nem comento
fica o paganismo do final escrito e fotografado a fogo
um beijo ( repartido )
Às 10/12/06 8:54 da tarde ,
Silvestre Raposo disse...
Olá amiga, cá tá a minha panela dos grões ó lumi...(dezias tu que nã a achava)Beges pelo texto maravilhose.
Às 12/12/06 9:30 da tarde ,
Teresa Durães disse...
quando escreves assim...
eu leio apenas
:)
Às 13/12/06 2:06 da manhã ,
tempo disse...
vou guardar...
porque sentir é melhor que falar.
cordda
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